Curso de graduação de jornalismo em período integral?

Ecrevendo uma matéria para o site que estamos preparando para a disciplina de Jornalismo On-line, me deparei com uma surpresa. Constatei que a Universidade Federal de Viçosa, em Minas Gerais, oferece o curso em período integral, ou seja, os alunos devem cursar disciplinas no perído matutino e no período vespertino.

Conversei rapidamente com o coordenador do curso de jornalismo de lá, o prof. Erivam Oliveira, sobre esses e outros assuntos. Segue o nosso bate-papo.

Marcela Cataldi O curso de Jornalismo da UFV é em período integral? Se sim, o sr. acha que isso faz diferença na formação dos alunos.
Erivam Oliveira Sim. O Curso da UFV é período integral e isso possibilita uma melhor distribuição das atividades durante todoo período em que os alunos  estão cursando as disciplinas, inclusive acompanhamento em atividades extra sala. 
 
MC O que o sr. acha de rankings das universidades? Os alunos devem se basear nisso na hora de escolher quais vestibulares prestar?
EO Os rankings ajudam a no referencial, principalmente dos alunos que não são das cidades onde o curso é oferecido. Mas, acredito que o estudante deva entrar no site da Instituição, ir conhecer as dependências e conversar com veteranos é muito mais aconselhável. Depender de empresas de comunicação que muitas vezes não abandonaram a ética, o compromisso com a verdade é muito triste.
 
MC Como o sr. avalia o ensino do Jornalismo on-line e das novas tecnologias na UFV? O sr. acredita que ele é adequado para o que se espera de um futuro jornalista?*
EO A UFV não oferece curso on-line na área do jornalismo. Eu tenho uma restrição sobre esse tipo de curso, ainda é muito recente e merecem um acompanhamento para termos uma avaliação melhor. Não se esqueça que vivemos num País do jeito, da corrupção, dos espertos. Os cursos presenciais já são difíceis de administrar, imagine um curso que é feito pelo computador. É só acompanharmos os escândalos que envolvem o Detran, onde os alunos fazem o login com o polegar, já arrumaram uma maneira de burlar. Prefiro esperar.

*É válido ressaltar que nessa última questão, eu me referia ao curso de Jornalismo On-line como disciplina e não via internet,ou seja, à distância. Talvez eu não fui clara nisso, mas mesmo assim, resolvi deizar ess aparte da entrevista porque achei interessante o posicionamentodo professor em relação ao EAD, o Ensino à Distância.

Por Marcel Cataldi

A função de um jornal laboratório

Há uns dias entrevistei Ana Estela de Sousa Pinto, editora de Treinamento da Folha, para uma matéria para o site que estamos desenvolvendo e me lembrei de um texto bastante interessante que ela escreveu quando foi ombudsman  do Jornal do Campus, o jornal laboratório da USP.

Me lembrei deste texto porque a última edição do Jornal do Campus (deste ano) se propôs a fazer uma ampla cobertura da greve e dos diversos acontecimentos relacionados. Pela primeira vez, eles usaram as redes sociais para fazer a cobertura e a divulgação e no perfil do JC no Facebook, há inúmeras mensagens elogiando os alunos. Será que finalmente o Jornal do Campus da USP é provocativo e se reinventou como fala a Ana Estela? Segue o texto na íntegra:

A fila anda

por  Ana Estela de Sousa Pinto

Três vezes comecei este texto pensando em sugerir ao Jornal do Campus que extinga a função do ombudsman, por ser inútil. Não que o jornal não tenha melhorado a cada edição, e a da quinzena passada está aí para atestar. É seguramente mais noticiosa, diversificada, quente e interessante que as anteriores. Mas isso não tem qualquer relação com minhas colunas ou com meu trabalho.

É das regras do jogo que um ombudsman esteja obrigado a criticar e sugerir, mas não tenha a autoridade para fazer valer suas ideias. O Jornal do Campus melhorou porque jornalismo se aprende muito com a prática: a cada edição, mais experiência, o que leva a qualidade.

O que me deixou mesmo neste humor pessimista foi abrir pela manhã a caixa de e-mail à procura de mensagens dos leitores. Mais uma vez, estava vazia.

Fiquei pensando: para o Jornal do Campus, haver ou não ombudsman não faz diferença alguma. Não há leitores que precisem de intermediário. O jornal não desperta nem críticas nem demandas que justifiquem a intervenção de um ombudsman. Incomoda pouco, também: em quatro meses, só quatro pessoas se queixaram. Já estava colocando para tocar o refrão “Inútil, a gente somos inútil”, do Ultraje a Rigor, quando percebi que tinha uma última coisa a dizer: esta é uma época em que a imprensa precisa se reinventar.

O jornalismo precisa se mostrar relevante se quiser sobreviver. Precisa reconquistar seus leitores: alertá-los sobre o que pode prejudicá-los, salvar-lhes tempo e dinheiro, orientá-los, diverti-los.

Jornais – quaisquer jornais, impressos ou não – só sobreviverão se forem úteis. E um ombudsman – ainda que sem a ajuda dos leitores – pode servir para lembrá-los disso. Retiro, então, minha sugestão inicial.

Que a função permaneça. E que venha o próximo!

Muito sucesso aos meninos com quem tive a honra de fazer companhia neste semestre.

Ana Estela de Sousa Pinto, 45, é formada em agronomia e jornalismo pela USP. Trabalha na Folha de S.Paulo, onde é responsável por seleção e treinamento.

Por Marcela Cataldi Cipolla

 

Alberto Dines fala sobre o Ensino de Jornalismo

Alberto Dines é um conceituado jornalista, ele foi editor-chefe do Jornal do Brasil, diretor da sucursal da Folha de São Paulo no Rio de Janeiro e criador do website Observatório da Imprensa. Como professor, ele chegou a lecionar na PUC-SP, na Unicamp e até mesmo como professor visitante na Universidade de Columbia, em Nova Iorque.

Pesquisando sobre o assunto para as matérias desta disciplina, me deparei com um vídeo que mostra o Alberto Dines falando um pouco sobre o ensino de Jornalismo no Brasil e suas experiências. A entrevista foi concedida à Revista Digital. Veja.

 

Em sua última edição, a revista The Economist publicou uma matéria sobre o ensino universitário na América Latina. De acordo com a revista norte-americana, a região possui graves problemas na Educação, o que está ainda mais evidente com o crescimento econômico desses países.

Porém, segundo a matéria, há exceções, especialmente no Brasil. Os autores do texto citam um ranking feito em 4 de outubro deste ano pela Quacquarelli Symonds, uma consultoria da área. As universidades foram classificadas de acordo com a produção acadêmica, de pesquisas e outras formas de medir a reputação das universidades. Das 200 universidades mais bem avaliadas, 65 estão em solo nacional, 35 no México, 25 na Argentina e mo Chile e 20 na Colômbia. Sendo que a instituição mais bem colocada é a USP, a Universidade de São Paulo.

Recentemente, a USP também foi lembrada pelo ranking da britânica Times Higher Education. Nessa última avaliação, a universidade foi a única da América Latina que entrou no ranking das 200 melhores instituições de Ensino de Graduação do mundo.

Neste semestre, a matéria de Jornalismo On-line da ECA (Escola de Comunicações e Artes da USP) se dedicará a estudar sobre o Ensino de Jornalismo no Brasil e também na ECA. A ideia é tentar identificar os problemas e as boas soluções das faculdades de Jornalismo do Brasil e do mundo e compará-las. Os rankings nacionais e internacionais poderão nos ajudar nessa tarefa. Será possível, por meio deles, observar como anda o prestígio das universidades e como elas são ou podem ser avaliadas.

Eu vou me dedicar exclusivamente às faculdades nacionais, mas outros colegas da classe buscarão dados e informações do mundo todo, eles vão trabalhar com a reputação das universidades, o método de ensino, a regularização da profissão, a obrigatoriedade do diploma e até a duração e a classificação dos cursos de Jornalismo em outros continentes. Para iniciarmos essa extensa pesquisa, um bom caminho é pesquisar as faculdades que despontam nessas avaliações e qual é o motivo desse sucesso.

Este post é apenas introdutórios para explicar um pouco sobre este projeto,  que tem como objetivo fazer um trabalho com dados confiáveis para serem usados academicamente. Mas, o meu intuito é colocar aqui novidades e tudo o que eu achar de interessante durante as pesquisas do semestre. Bem-vindos!

Por Marcela Cataldi Cipolla

Fonte: http://www.economist.com/node/21531468
Foto: Getty Images/ Reprodução da versão on-line da matéria da The Economist